Ainda no rescaldo do Dia Mundial dos Dados Abertos

bethmaru.com/helloworld

Mapa criado por Mary Beth Baker para o Open Data Day 2013.  

Já faz amanhã, 23/3, um mês que no Porto – e na rede – celebramos o terceiro Dia Mundial dos Dados Abertos. A livraria Gato Vadio abriu as portas a mais um hackday, e o centro de operações montado incluía 15 participantes in loco e virtuais – um “recorde retumbante de audiências”, disseram o Ricardo (@rlaf) e a Ana (@aiscarvalho) a mais de 2.000km de distância.

Foi o Nuno (@nunompmoniz) quem fez as honras à casa introduzindo a missão do Transparência Hackday, movido pela urgência de lançar dados para melhor servir a cidadania.

Tratar dados complexos de forma simples

Entrou então em cena a dupla de ilustradores especialistas em infografia: o Eduardo e o Zé da Mother Volcano (@mothervolcano).

Foto de @luisalveslago

Foto de @luisalveslago

Tinham sido convidados a vir falar sobre técnicas de infografia para comunicação com diferentes públicos. Como faltam designers no Transparência Hackday, a inspiração que nos deram foi mais do que bem vinda!

Apresentaram-nos o seu estúdio de ilustração lançado com o objectivo de “criar formatos não convencionais e com inovação” para um cliente principal – o banco Saxo Markets “que quer chegar ao público comum”, disseram.

Do primeiro trabalho desenvolvido – The Golden Constant, sobre a variação do ouro face ao dólar americano – até aos dias de hoje, tem sido “um processo de aprendizagem”:

«ilustradores a trabalhar com infografia é um desafio, em geral são designers que fazem este trabalho»

Ressalvaram a importância de um bom enquadramento e da necessidade de se preservarem as escalas e relações entre dados. Para criar infografias bem sucedidas uma boa preparação dos dados é fulcral – e eles fazem-no e bem, mesmo sem se aventurarem no mundo do código (apontaram o Treemap como uma das ferramentas de visualização que usam nos seus trabalhos).

Apresentaram e comentaram vários exemplos das infografias que têm criado, com formatos horizontais e divididas em secções para diferentes datasets.

Currency Wars, infografia de @MotherVolcano

“Currency Wars”, infografia de @MotherVolcano (ver mais em behance.net/mothervolcano)

Antes de pormos as mãos na massa, houve ainda espaço para uma rodada de breves apresentações das dez pessoas presentes no Gato Vadio.

A Sara (@saritamoreira) explicou como começou o Transparência Hackday; o Nuno (@nunompmoniz) já tinha falado no início da sessão sobre o Para onde vão os meus impostos?; o Luís (@LuisAlvesLago) apresentou a Mila, plataforma de mapeamento de obstáculos à mobilidade; a Cláudia (@amorim_c) e o Vitor (@victorgscardoso) falaram do GeoDevolutas.org:

«disponibilizamos dados para que as pessoas tomem melhor as suas decisões.»

Tivemos ainda o prazer de conhecer a Alice, que nos deu alguns exemplos de ação direta em França, e o Diógenes, que promete vir a desvendar técnicas de criptografia.

Mãos aos “censos” e registo de interesse de deputados!

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Foi então lançado o mote para a divisão em grupos de trabalho, sempre com um olho nas bases já criadas para prestar apoio a este dia: wiki, pad, twitter (as hashtags em uso foram #opendata-pt e #thackdaypt), e claro o canal #opendata-pt no IRC que nos aproximava de quem não pode estar fisicamente presente.

O Nuno liderou a recolha dados dos registos de interesses dos deputados e respetiva compilação no Google Drive:

Desde a anterior legislatura que a Assembleia da República publica os documentos referentes ao registo de interesses de cada deputado/a. Em termos de transparência a ideia é interessante, não fossem os dados estar “acantonados num espaçozinho do site que não tem tido a visibilidade que devia ter”, como disse o Nuno:

A ideia deste projecto, inserido nos trabalhos desta tarde do Open Data Day, é transcrever o máximo de informação referente a esses registos de interesse para posteriormente fazer um site com essas visualizações. Vamos lá dar visibilidade aos dados do parlamento, porque todos/as temos o direito de saber.

O método adoptado baseou-se numa folha de cálculo partilhada entre o grupo de trabalho no Google Docs com campos referentes à informação disponível nos registos de interesse (ver exemplo). Cada um criou uma página sua e ficou encarregue de percorrer uma série de deputado/as listados.

Outro grupo de trabalho, foi mobilizado pela Janet (@JanetGunter), participante à distância que nos chamou a atenção para a falta de conjuntos de dados abertos dos países de língua portuguesa na plataforma Open Data Census da Open Knowledge Foundation:

Usamos também um Google Docs para compilar referências dos dados que conseguimos encontrar de Moçambique, Angola, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé & Príncipe, Timor Leste e Portugal.

A maratona permitiu colocar alguns desses países no mapa, com dados que vão desde orçamentos, a resultados eleitorais, registos empresariais, gastos públicos, legislação, poluição ambiental, etc.

Mas não cessam os dados que ainda podemos lançar! Queres ajudar-nos a libertar? Fica atento aos nossos canais, em breve teremos mais um hackday!

1 pensamento em “Ainda no rescaldo do Dia Mundial dos Dados Abertos

  1. Pingback: #opendata / dia internacional / 22-02 / anda daí! | Transparência Hackday Portugal

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