Como foi o Open Data Day 2017

Manhã: Mapping party

O Open Data Day começou em cheio, com uma mapping party orientada pelo Open Street Map Portugal. Estreámos o site de Tarefas, onde já estavam definidas as áreas da cidade a mapear nesta manhã. A ideia central era encher o mapa de informação útil: números de polícia (vulgarmente conhecidos como números de porta), comércio local, e outros dados — multibancos, paragens de autocarro, ecopontos, ciclovias, árvores… — uma vez que o traçado das ruas já existe.

As instruções eram simples: depois de instalar o OSM Tracker no telefone, organizados em grupos de duas ou três pessoas, seguir um dos percursos definidos nas Tarefas. Pelo caminho devíamos fotografar os números de polícia, com máximo de distância possível (importante para mais tarde reconhecer a os edifícios e a distribuição das portas no mapa) e, em cada esquina, registar uma foto da rua que incluísse a placa do nome. Além dos números de polícia era útil fotografar placas de estabelecimentos e os seus respectivos horários.

A aplicação do OSM Tracker guarda imagens, notas de texto, excertos áudio, e outros apontamentos geolocalizados no percurso por isso é simples ver onde registamos cada informação. Outro truque que aprendemos, e que mostra como estes passeios para mapear são também um pretexto para descontrair e conhecer melhor um sítio, foi o de parar para café, chá ou um bolinho no caminho e guardar a fatura. Além de ajudar a recuperar as forças e as fatura costumam ter logo os dados completos de um estabelecimento: nome, morada, contactos e até o horário!

O tempo que passámos na rua a mapear passou a voar. Em quase todos os grupos tínhamos um membro do OSM que nos foi mostrando truques e fazendo os registos mais demorados. Quando voltámos ao UPTEC PINC, descarregámos os percursos do telemóvel para o computador e começámos a passar o que registámos para o OSM. Por uma questão de eficácia usamos o interface online, mas existem editores mais completos que podemos instalar, como o Josm <3

O entusiasmo de ver as coisas a aparecer no Open Street Map contagiou toda a gente e ninguém queria parar para o almoço. A solução foi encomendar e continuar a encher o OSM. No meio deu tempo para tirar imensas dúvidas, fazer piadas e aprendar mais sobre mapas e sobre o nosso país.

Tarde: Conversa & quiz

Antes de começar com as intervenções dos oradores convidados (que generosamente deram do seu tempo e recursos para estar connosco!), tratámos de fazer uma introdução ao tema e às razões que nos juntam uma vez por ano. Começámos também com um par de boas novidades:

  • Recebemos a notícia de que foi lançado um portal na Suíça que usa como base o software que criámos para a nossa Central de Dados
  • Aproveitámos o pretexto para fazer o lançamento público do dadosabertos.pt, um recurso que estamos a construir para melhor explicar os pormenores e minudências daquilo que defendemos.

Jorge Gustavo Rocha retomou a palavra para nos mostrar o que é o OpenStreetMap, falar do seu potencial e nos pôr a par do que se tem feito em Portugal. A abordagem do OpenStreetMap Portugal (OSM-PT) baseia-se na ideia de ciência cidadã: não é só na academia que se pode criar e partilhar conhecimento, é algo que podemos levar a cabo no nosso quotidiano. E nem tem de ser chato! A mapping party da manhã demonstrou que se pode passar um bom momento enquanto se enriquecem os mapas comuns.

João Tremoceiro veio demonstrar-nos como, em menos de um ano, a Câmara Municipal de Lisboa passou de entidade sem política de dados abertos a um exemplo nacional de boas práticas. Tal explica-se pela aposta na formação interna e pela abertura sincera à sociedade civil, na forma de workshops e consultas abertas para compreender as necessidades da população.

André Barbosa, editor e administrador da Wikipédia, partilhou connosco pormenores sobre a enciclopédia preferida de toda a gente, e sobre a organização que a orienta. Encaixando perfeitamente no tema dos dados abertos, passámos algum tempo a aprender sobre o Wikidata, o projeto da Wikimedia dedicado a converter o conhecimento da Wikipedia em conjuntos de dados estruturados.

Depois das intervenções e da conversa com o público, em que abordámos temas como a privacidade no contexto dos dados abertos e o impacto das novas tecnologias nas formas de fazer democracia e criar conhecimento, passámos para o momento final do dia — o quiz dos dados abertos! Foram 4 equipas a tentar deslindar as respostas às questões que orquestrámos para a ocasião.

No final, não faltaram os devidos prémios: dados para todos!

O rescaldo

Mais uma vez, ao final do dia sentimos que valeu totalmente a pena dedicarmos um sábado solarengo ao nosso entusiasmo pelos dados abertos e, especialmente, ao que podemos fazer com eles. Temos também muita gente a quem agradecer pelo dia fantástico que tivemos:

  • todas as e os habitués do Date With Data que ajudaram nos pormenores menos interessantes da organização
  • os oradores e a sua generosidade em dispensar um lindo dia de sábado para vir mostrar-nos o que de bom se faz por cá
  • o UPTEC PINC por alojar as nossas aventuras e nos dar condições excepcionais para tudo poder acontecer

Vamos agora voltar ao ritmo mensal dos encontros Date With Data. O próximo será no dia 1 de abril, e estamos a preparar um encontro diferente, dedicado a apps estúpidas, dados parvos e ideias fora de mão, seguindo o modelo das “stupid hackathons”. Aguarda pela nossa newsletter!

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