Open Data Day 2018: como foi

O Open Data Day deste ano foi dedicado ao tema dos mapas abertos. De manhã à tarde, aprendemos, conversamos e olhamos para informação geográfica aberta, para perceber os recursos que existem, como podemos usá-los e contribuir para que se tornem ainda mais completos.

João Pina veio falar-nos sobre a história do Fogos.pt, um site que mapeia os incêndios em Portugal e que o faz usando dados abertos, disponibilizados pela Proteção Civil Portuguesa. Este projecto começou em agosto de 2015, como um desafio de serão para recolher e visualizar os dados dos incêndio. A forma simples como mostra a informação dos fogos, um mapa com os pontos assinalados, em vez das tabelas disponibilizadas em formato PDF pela Proteção Civil, tornou-o desde logo um recurso útil, com muito uso. Ao perceber o interesse que o fogos.pt gerou, João continuou a trabalhar nele, modificando-o conforme necessário (atualizando as tecnologias usadas, a fonte dos dados, que entretanto mudou a forma como estes eram publicados, etc) e expandindo-o. Um dos problemas com que se deparou, pelo uso extensivo do site, foi a limitação imposta pelo Google Maps, o motor original de mapas que tinha usado. Com a presença da comunidade do Open Street Maps no ODD, aproveitou a oportunidade para lhes pedir ajuda para migrar os seus mapas :-) e partilhou connosco que tem um repositório com o código do fogos.pt que pretende tornar público, segundo uma licença aberta. Os slides da apresentação do João, com mais pormenores sobre a história técnica do site, podem ser vistos aqui.

Foi com grande entusiasmo que recebemos Francisco Caldeira e Ana Santos, do Instituto Nacional de Estatística (INE), uma das fontes de dados abertos mais interessantes que encontramos — e, além disso, extremamente receptivos: das vezes que lhes enviámos emails com dúvidas sobre os dados, não demoraram mais de um dia a responder-nos! Falaram-nos das diretivas adotadas pelo governo português, com o objetivo de melhorar a acessilidade e estandardização dos dados, segundo as quais tem estruturado os seus esforços. Mostraram-nos o trabalho que têm feito a nível de dados geográficos e informação dos censos, e a evolução da forma como os dados estão disponíveis. Inicialmente, a base de dados de geo-informação dos censos estava à venda. Nessa altura apenas grandes empresas, como hipermercados, compraram a informação para estudar a população e a possível distribuição das suas lojas. Hoje, a informação está disponível livremente. A base de dados das moradas de Portugal, um dos conjuntos de dados mais procurados (na Central de Dados, o conjunto de dados das moradas, antigamente disponibilizado pelos CTT, é o mais descarregado), foi tornada pública esta semana e está acessível aqui. Este conjunto de dados foi reunido com uma incrível rapidez, apenas possível pela forma como o INE geriu e abriu a recolha aos cidadãos.

Por fim, para fazer a ponte entre as apresentações anteriores, tivemos Miguel Tavares da Câmara de Águeda, que nos falou sobre a interação entre a instituição onde trabalha e o projeto comunitário do Open Street Map. Desde 2008 que a Câmara de Águeda tem usado o OSM como motor para gerir os seus dados geográficos. Com a iniciativa de Miguel Tavares e outros funcionários da câmara, envolvidos na comunidade do OSM, foi levado a cabo o esforço de inserir os dados geográficos que tinham e que foram recolhendo diretamente no Open Street Map, de forma a manter os mapas atualizados. Em vez de comprar software proprietário de gestão de mapas, a câmara usa e contribui para este projeto aberto — e uma das consequências é Águeda ter-se tornado uma das municipalidades melhor mapeada no OSM. Os datasets abertos publicados pela CM Águeda são usados pela mesma para criar serviços úteis — O melhor percurso, mapas de autocarros escolares, entre outros — e para promover hackathons com o público onde se trabalha e reflete na utilidade da informação publicada.

Para mais imagens deste Open Data Day aqui. O próximo encontro, Date With Data, é no dia 14 de abril. Guarda a data!

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