Dados Abertos nas Eleições Europeias: webinário + hackday

Imagem retirada do site myvote2014.eu

Imagem retirada do site myvote2014.eu

Convocamos todos os entusiastas open data! As inscrições estão abertas aqui.

Com a legalidade e a transparência dos processos democráticos a fazerem notícia em todos os cantos do mundo, e com as próximas eleições para o Parlamento Europeu já aí ao virar da esquina, a equipa da Plataforma ePSI (European Public Sector Information) e o Transparência Hackday convidam à participação num webinário sobre Open Electoral Data (Dados Eleitorais Abertos).

O seminário online vai ser acompanhado por um evento presencial no Porto, dia 11 de abril de 2014, das 16h às 19h (hora local), no Pavilhão-Jardim do Pólo de Indústrias Criativas do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (PINC / UPTEC).

A participação no seminário é aberta e livre. O programa completo, incluindo a lista de palestrantes confirmados, está disponível aqui [pdf].

Para ver o programa completo, clique na imagem [pdf]

Palestrantes do webinário Open Electoral Data. Para ver o programa completo, clique na imagem [pdf]

Ao longo do webinário vamos tentar perceber:

  • como é que as tecnologias open data podem ser usadas para monitorizar e analisar eleições;
  • formas de potenciar a abertura governamental e o envolvimento cívico com dados eleitorais de forma a melhor informar a sociedade;
  • se estão disponíveis na Europa dados de boa qualidade, confiáveis e úteis relacionados com o processo eleitoral.

Por questões logísticas solicitamos inscrição no evento. Clique aqui para confirmar a participação no evento presencial, ou aqui se só quiser participar no webinário (à distância).

Uma vez registado através do website eventbrite, irá receber um link directo por email para para se juntar ao webinário em 48 horas. Se não receber esse email, por favor entre em contacto. Estamos em bomdia at transparenciahackday ponto org para responder a qualquer questão!

HACKDAY: 12 de ABRIL de 2014 // 14:30 – 19:00 // MAUS HÁBITOS

No dia seguinte, 12 de Abril de 2014, o Transparência Hackday, organiza mais um hackday, desta vez dedicado a dados eleitorais abertos: vamos focar-nos em votos, eleições, assembleias e mesas de voto, estatísticas e previsões.

Vamos manter as nossas mãos ocupadas a explorar datasets existentes em Portugal, bem como a projectar formas elegantes e eficazes de mostrar e dar acesso a esses dados.

Como já é hábito todos os segundos sábados do mês, o hackday acontece no Maus Hábitos das 14:30 às 19:00. Quem quiser juntar-se digitalmente poderá fazê-lo através da sala de chat IRC do Transparência Hackday.

Até já!

 Imagem de destaque retirada do website myvote2014.eu.

Webinário europeu sobre dados eleitorais: 11 de abril

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Actualização: as inscrições já estão abertas e o programa fechado. Veja aqui.

As próximas eleições para o Parlamento europeu estão já aí ao virar da esquina: em maio de 2014 os cidadãos europeus vão eleger os seus próximos representantes. Neste contexto, propomos um debate online à volta do tema “Open Electoral Data” (Dados Eleitorais Abertos), e dados eleitorais em geral.

O primeiro workshop de 2014 da Plataforma ePSI – uma iniciativa da Comissão Europeia que se dedica à promoção da informação do sector público e reutilização de dados em todos os estados-membro da União Europeia – terá o formato de um webinário e será também acompanhado por um evento presencial a convite da Plataforma ePSI e do Transparência Hackday Portugal. Este evento tomará lugar a 11 de abril de 2014 às 16 horas no Pólo de Indústrias Criativas do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (PINC / UPTEC).

Durante o evento vão ser apresentadas algumas formas através das quais as tecnologias open data podem ser exploradas para monitorizar e analisar processos eleitorais e como é que a abertura governamental e o enriquecimento cívico dos dados eleitorais podem ser aprimorados para melhor informar a sociedade. Também vamos tentar perceber se estão disponíveis a nível europeu dados fiáveis, úteis e de boa qualidade sobre as votações e as assembleias de voto.

A lista provisória de palestrantes convidados inclui Stef van Grieken da equipa de Inovação Cívica da Google.org, Lex Slaghuis, CTO da Fundação OpenState, Karolis Granickas da Transparency International – Lituânia e Niels Erik Rasmussen Kaaber da Open Knowledge Foundation – Dinamarca.

O programa completo, incluindo palestrantes convidados de Portugal bem como informação sobre como fazer a inscrição neste evento, estará disponível muito em breve. Fiquem atentos!

Traduzido da Plataforma ePSI.

Como vota quem nos representa?

aberturaTornar público e acessível o sentido de voto de cada um dos deputados na Assembleia da República. É esta a reivindicação de uma petição lançada no início do mês de Março, que pede concretamente

à Assembleia da República, que tome as devidas diligências no sentido de fornecer publicamente um registo electrónico, gratuito, em formato aberto, apropriado em termos de acessibilidade, e claro no seu conteúdo, do sentido de voto de cada deputado e deputada sobre cada decisão tomada.

in “Direito a saber como votam as pessoas eleitas que nos representam

Actualmente o website do Parlamento mantém o registo da actividade de cada um dos deputados mas não disponibiliza de forma sistematizada o sentido dos seus votos em cada iniciativa. Através das transcrições da assembleia é possível conhecer os votos (por extenso), mas este formato não facilita, de todo, o acesso dos cidadãos à informação. Passo a citação do Nuno Moniz, à conversa no hackafé de hoje no Maus Hábitos, “é como entrar num armazém e dizerem-te: aqui tens o que procuras”.

O longo calvário da busca de informação

Geralmente os cidadãos só se apercebem do sentido de voto dos seus representantes quando está em jogo algum assunto mais mediático, como refere um artigo publicado no Público a propósito desta petição, apontando por exemplo o voto a favor da co-adopção por casais homossexuais (proposta do PS) pelos vice-presidentes do PSD, Teresa Leal Coelho e Pedro Pinto. A disciplina de voto imposta pelo partido mais tarde, aquando da decisão de levar o assunto a referendo, levou a que Leal Coelho se demitisse do seu cargo no início de 2014.

Foi exactamente a votação em plenário do Projecto de Lei n.º 278/XII (PS) da co-adopção por casais homossexuais, em Maio de 2013, que levou António Balbino Caldeira, do blogue Do Portugal Profundo, a fazer uma longa análise sobre as dificuldades que assombram este “exercício legítimo de escrutínio democrático: saber quem votou no quê e quem faltou e o motivo”:

De Herodes para Pilatos, o cidadão eleitor, interessado no escrutínio das votações, percorre um calvário de caminhos e chamadas, no labirinto, até obter informação que, depois de concatenada, permite chegar ao resultado pretendido sobre a votação: quantos, como, quem. Em alternativa, o cidadão ativo pode conformar-se com o relato dos jornais (ver também o JN, de 17-5-2013), com a visualização da emissão arquivada do canal Parlamento desse dia 17 de maio de 2013 (que inclui também a discussão… sumária) ou, cerca de duas semanas depois do ato dada a necessidade de transcrever os debates e votações, o Diário da Assembleia da República (consultada a página, hoje 24 de maio, verifica-se que o diário mais próximo já publicado é o do dia 11 de maio). Mas daqui a duas semanas, quando ficar disponível o Diário da Assembleia da República, já as figuras da opacidade e do disfarce emendaram a mão, vista a atirar pedras à estrutura da sociedade portuguesa. Agora, ainda há tempo para emendar o mal.

Pela abertura e transparência parlamentar

“Existem medidas simples que permitem melhorar o compromisso e a ligação entre os responsáveis eleitos e as suas populações”, indica o texto da petição. As principais estão enumeradas na Declaração para a Abertura e Transparência Parlamentar, lançada em 2012 por um grupo de organizações dedicadas à transparência, abertura e acessibilidade de informação parlamentar. Na declaração, o registo dos votos dos deputados é apontado como um dos princípios chave:

“Para garantir a responsabilização dos deputados junto do seu eleitorado, o Parlamento deve minimizar o uso da votação de braço no ar em sessão plenária e deve privilegiar, na maioria dos casos, a votação nominal ou eletrónica. O Parlamento deve conservar e disponibilizar ao público um registo completo dos votos individuais dos deputados em plenário e nas comissões. Da mesma forma, o Parlamento deve minimizar o uso do voto por procuração ou delegação e deve assegurar que este não entrave os padrões de transparência e responsabilidade democráticas. “

A Declaração para a Abertura e Transparência Parlamentar foi subscrita, até agosto de 2012, por 76 organizações de 53 países. Clica na imagem para abrir a versão portuguesa,  traduzida pelo Transparência Hackday [pdf].

A Declaração para a Abertura e Transparência Parlamentar foi subscrita por pelo menos 140 organizações em mais de 75 países. Clica na imagem para abrir a versão portuguesa, traduzida pelo Transparência Hackday [pdf].

Estamos a fazer uma análise do parlamento português à luz da declaração, disponível na wiki, e estamos abertos a comentários e contribuições de todos os interessados.

Das petições

O direito de petição define que atingido um mínimo de 1.000 assinaturas é obrigatória a publicação da petição no Diário da Assembleia; caso o número de subscrições chegue aos 4.000 cidadãos, a mesma tem de ser apreciada em Plenário da Assembleia.

Algumas das possíveis consequências da apreciação da petição “Direito a saber como votam as pessoas eleitas que nos representam” na Assembleia da República são, como informa o website parlamento.pt:

  • a comunicação ao Ministro competente para eventual medida legislativa ou administrativa;
  • a remessa ao Procurador-Geral da República, à Polícia Judiciária ou ao Provedor de Justiça;
  • a iniciativa de um inquérito parlamentar;
  • a apresentação, por qualquer Deputado ou Grupo Parlamentar, de um projeto de lei sobre a matéria em causa.

Já assinaste? Lê algumas das razões apontadas por quem já assinou, deixa o teu nome aqui.

Fortalecer laços entre a comunidade Open Data em Portugal

A associação de intervenção cultural Maus Hábitos abriu as suas portas para receber o #OpenDataDay em Portugal.

A associação de intervenção cultural Maus Hábitos abriu as portas ao #OpenDataDay em Portugal.

Aficionados da tecnologia para a cidadania e defensores pró-transparência de várias cidades de Portugal encontraram-se no Dia Internacional dos Dados Abertos no Porto, a convite do Transparência Hackday.

O “hangout” cara-a-cara juntou designers, programadores, comunicadores e funcionários públicos que dedicaram aquela tarde de sábado (22 de fevereiro) a pôr as mãos-na-massa (leia-se “mãos-nos-dados”) e a partilhar experiências sobre transparência e informação pública. A cereja em cima do bolo foi a apresentação do designer e investigador Pedro Cruz sobre os seus projetos de visualização de dados.

Lê no Global Voices como foi: A Day to Strengthen Portugal’s Open Data Community [en] (brevemente em português).

#opendata / dia internacional / 22-02 / anda daí!

opendataday2014_newsletter

Estás convidado. De novo.

Um ótimo motivo para convocar ao encontro todos aqueles que se interessam por dados abertos, informação pública e interações possíveis entre tecnologia e cidadania.

DIA INTERNACIONAL DOS DADOS ABERTOS

22 de fevereiro de 2014 | Maus Hábitos | Porto
quarto dia internacional dos dados abertos é já no próximo dia 22 de fevereiro e vai ser celebrado simultaneamente em diversas cidades do globo. No Porto a magia acontece durante a tarde de sábado (22) no Maus Hábitos a partir das 14:30. Vai haver apresentações, discussão, troca de experiências… e se os ânimos por aí nos levarem, porque não um pouco de hacking? Esperamos juntar no Norte vários entusiastas de #OpenData em Portugal. Aparece e traz um amigo.

Para quê?
Para conhecer o que se vai fazendo nesta área, em território nacional e além, e assim inspirar novas aplicações, visualizações e publicações de análises usando dados abertos públicos. O #OpenDataDay também pretende encorajar a adoção de políticas de libertação de dados por instituições, governos locais, regionais e nacionais em todo o mundo.Vê como foi em 2013 no Porto.

Toda a gente deve vir
Programadores, designers, cientistas, jornalistas, bibliotecários, estatísticos e cidadãos. Se tens uma ideia para usar dados abertos, queres encontrar um projeto interessante para contribuir ou simplesmente queres ver o que está a acontecer, então deves sem dúvida aparecer no #OpenDataDay. Não interessa o teu nível de conhecimento, interesses ou domínio das ferramentas, vai haver muitas oportunidades para aprender e ajudar no crescimento da comunidade mundial de dados abertos.

Mais info: opendataday.org

Mais info: opendataday.org

O evento é obviamente aberto
Mas se puderes confirmar presença ficamos agradecidos (logísticas!). Deixa o teu nome aqui: wiki.opendataday.org/Porto2014 ou envia-nos uma mensagem para bomdia em transparenciahackday ponto org.

Se não puderes dar-nos o prazer da tua presença
Encontra-nos nos seguintes canais:
IRC: transparenciahackday.org/
chat

Twitter: #opendataday-pt
Mais info: opendataday.org [pt]

Ainda no rescaldo do Dia Mundial dos Dados Abertos

bethmaru.com/helloworld

Mapa criado por Mary Beth Baker para o Open Data Day 2013.  

Já faz amanhã, 23/3, um mês que no Porto – e na rede – celebramos o terceiro Dia Mundial dos Dados Abertos. A livraria Gato Vadio abriu as portas a mais um hackday, e o centro de operações montado incluía 15 participantes in loco e virtuais – um “recorde retumbante de audiências”, disseram o Ricardo (@rlaf) e a Ana (@aiscarvalho) a mais de 2.000km de distância.

Foi o Nuno (@nunompmoniz) quem fez as honras à casa introduzindo a missão do Transparência Hackday, movido pela urgência de lançar dados para melhor servir a cidadania.

Tratar dados complexos de forma simples

Entrou então em cena a dupla de ilustradores especialistas em infografia: o Eduardo e o Zé da Mother Volcano (@mothervolcano).

Foto de @luisalveslago

Foto de @luisalveslago

Tinham sido convidados a vir falar sobre técnicas de infografia para comunicação com diferentes públicos. Como faltam designers no Transparência Hackday, a inspiração que nos deram foi mais do que bem vinda!

Apresentaram-nos o seu estúdio de ilustração lançado com o objectivo de “criar formatos não convencionais e com inovação” para um cliente principal – o banco Saxo Markets “que quer chegar ao público comum”, disseram.

Do primeiro trabalho desenvolvido – The Golden Constant, sobre a variação do ouro face ao dólar americano – até aos dias de hoje, tem sido “um processo de aprendizagem”:

«ilustradores a trabalhar com infografia é um desafio, em geral são designers que fazem este trabalho»

Ressalvaram a importância de um bom enquadramento e da necessidade de se preservarem as escalas e relações entre dados. Para criar infografias bem sucedidas uma boa preparação dos dados é fulcral – e eles fazem-no e bem, mesmo sem se aventurarem no mundo do código (apontaram o Treemap como uma das ferramentas de visualização que usam nos seus trabalhos).

Apresentaram e comentaram vários exemplos das infografias que têm criado, com formatos horizontais e divididas em secções para diferentes datasets.

Currency Wars, infografia de @MotherVolcano

“Currency Wars”, infografia de @MotherVolcano (ver mais em behance.net/mothervolcano)

Antes de pormos as mãos na massa, houve ainda espaço para uma rodada de breves apresentações das dez pessoas presentes no Gato Vadio.

A Sara (@saritamoreira) explicou como começou o Transparência Hackday; o Nuno (@nunompmoniz) já tinha falado no início da sessão sobre o Para onde vão os meus impostos?; o Luís (@LuisAlvesLago) apresentou a Mila, plataforma de mapeamento de obstáculos à mobilidade; a Cláudia (@amorim_c) e o Vitor (@victorgscardoso) falaram do GeoDevolutas.org:

«disponibilizamos dados para que as pessoas tomem melhor as suas decisões.»

Tivemos ainda o prazer de conhecer a Alice, que nos deu alguns exemplos de ação direta em França, e o Diógenes, que promete vir a desvendar técnicas de criptografia.

Mãos aos “censos” e registo de interesse de deputados!

thackdaypt-gato-2013-02-23 15.51.06

Foi então lançado o mote para a divisão em grupos de trabalho, sempre com um olho nas bases já criadas para prestar apoio a este dia: wiki, pad, twitter (as hashtags em uso foram #opendata-pt e #thackdaypt), e claro o canal #opendata-pt no IRC que nos aproximava de quem não pode estar fisicamente presente.

O Nuno liderou a recolha dados dos registos de interesses dos deputados e respetiva compilação no Google Drive:

Desde a anterior legislatura que a Assembleia da República publica os documentos referentes ao registo de interesses de cada deputado/a. Em termos de transparência a ideia é interessante, não fossem os dados estar “acantonados num espaçozinho do site que não tem tido a visibilidade que devia ter”, como disse o Nuno:

A ideia deste projecto, inserido nos trabalhos desta tarde do Open Data Day, é transcrever o máximo de informação referente a esses registos de interesse para posteriormente fazer um site com essas visualizações. Vamos lá dar visibilidade aos dados do parlamento, porque todos/as temos o direito de saber.

O método adoptado baseou-se numa folha de cálculo partilhada entre o grupo de trabalho no Google Docs com campos referentes à informação disponível nos registos de interesse (ver exemplo). Cada um criou uma página sua e ficou encarregue de percorrer uma série de deputado/as listados.

Outro grupo de trabalho, foi mobilizado pela Janet (@JanetGunter), participante à distância que nos chamou a atenção para a falta de conjuntos de dados abertos dos países de língua portuguesa na plataforma Open Data Census da Open Knowledge Foundation:

Usamos também um Google Docs para compilar referências dos dados que conseguimos encontrar de Moçambique, Angola, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé & Príncipe, Timor Leste e Portugal.

A maratona permitiu colocar alguns desses países no mapa, com dados que vão desde orçamentos, a resultados eleitorais, registos empresariais, gastos públicos, legislação, poluição ambiental, etc.

Mas não cessam os dados que ainda podemos lançar! Queres ajudar-nos a libertar? Fica atento aos nossos canais, em breve teremos mais um hackday!

Sobre Hackathons e Solucionismo

Este artigo, escrito por David Sasaki, foi publicado originalmente no seu blog com o título On Hackathons and Solutionism, e traduzido para português para o Transparência Hackday.

«Passei muito mais tempo do que esperava do meu fim de semana a avaliar as 22 apps finalistas do Desarrollando America Latina, a maior hackathon anual da região. (Podes conhecer os três vencedores e a menção honrosa através deste post pela coordenadora do evento, Anca Matioc.)

Passei o resto do fim de semana a ler o próximo livro de Evgeny Morozov, To Save Everything, Click Here (tradução livre: Para “salvar” tudo, clica aqui). Evgeny critica o advento do “solucionismo”, que define com uma citação de Michael Dobbins: “O solucionismo presume em vez de investigar o problema que está a tentar resolver, procurando a resposta antes das questões terem sido inteiramente colocadas”.

Não há lugar algum, parece-me, onde o solucionismo tenha mais força do que em hackathons e concursos de [desenvolvimento de] apps. Sem contemplarem as origens, causas e efeitos dos problemas sociais que querem remediar, estes eventos de dois ou três dias juntam designers e programadores de software que em conjunto “hackam” soluções elegantes para problemas complexos.

Por exemplo, na categoria dedicada às “alterações climáticas”, encontramos o projecto brasileiro Seu Lixo. A aplicação usa dados públicos do instituto brasileiro de estatística que dão a conhecer a quantidade diária de lixo coletado em cada uma das principais cidades do país. Ao percorrerem essa informação e comparando-a com as estatísticas populacionais dos últimos censos, os programadores por trás de “Seu Lixo” conseguem mostrar de uma forma atraente os quilos de lixo que são colectados, em média, por pessoa por dia nas maiores cidades do Brasil. Ficamos a saber que em Fortaleza, uma cidade na costa nordeste com pouco mais de 2 milhões, o habitante médio deita fora cerca de um quilograma de lixo por dia, enquanto que em Belo Horizonte, muitas vezes chamado “Silicon Valley” do Brasil, o habitante médio deita fora mais do dobro do que os de Fortaleza. E em Goiânia, palco de um famoso acidente de contaminação radioativa em 1987, os residentes deitam fora quase três vezes a quantidade de lixo que os cidadãos de Fortaleza.

A comparação é interessante, claro, mas deixa a pergunta no ar: porquê? Quais são as políticas e práticas que explicam tão grande discrepância? Está a ser feito progresso? O que pode ser feito para reduzir o volume de lixo e fomentar a reciclagem? Quais as políticas por trás das medidas? Será que determinados actores estão a sustentar reformas legislativas importantes? Haverá empreendedores como a peruana Albina Ruiz que desenvolveu sistemas comunitários sustentáveis de gestão de resíduos? Esse tipo de projetos é replicável? Com alguma pesquisa ficamos a saber que em 2009 o Banco de Desenvolvimento Nacional do Brasil criou uma linha de financiamento de 125 milhões de dólares para apoiar cooperativas de reciclagem e recolha de resíduos em cinco grandes cidades. No entanto, não consegui encontrar website algum com documentação sobre a quantia que foi despendida ou quais terão sido os efeitos.

O “solucionismo” inerente às hackathons e concursos de apps contribuiu em parte para a crescente onda de críticas contra o modelo. David Eaves escreveu uma reflexão sobre um debate que aconteceu há umas semanas atrás na WeGov na qual indica uma outra análise aprofundada por Alex Howard quando surgiu uma discussão semelhante há um ano atrás. Antti Poilkola compilou uma lista aberta de concursos de apps (a maioria dos quais europeus) e lançou um inquérito e uma mailing list para discutir como é que o modelo pode ser melhorado.

Uma ideia que parece estar a ganhar adeptos é gastar menos tempo a desenvolver novas aplicações que parecem nunca ganhar escala, e mais tempo a criar comunidade em volta de determinados datasets. Um exemplo desse tipo de datasets, segundo David Eaves, é o Inventário de Emissões Tóxicas da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos, que monitoriza a poluição causada pelos empreendimentos industriais em todo o país. Um amigo meu do Projecto de Integridade Ambiental usa estes dados para trabalhar com a indústria e ajudá-la a investir em novas tecnologias que permitam reduzir as suas emissões (sem falar em poupar dinheiro a longo prazo). E quando a indústria se recusa a fazê-lo, ele faz pressão com a APA para que haja uma penalização.

Fiquei impressionado com uma equipa de programadores peruanos que desenvolveu um sensor ambiental baseado em Arduino que consegue monitorizar a radiação UV, humidade, temperatura e material particulado. Mas será que os dados prevalecerão em tribunal quando ativistas ambientais processarem contaminadores da indústria? E caso não, então para quê que se coletam dados afinal?

Juntar vários actores – incluindo dos setores público e privado, ativistas e tecnólogos  – de forma a garantir que existe um propósito por trás dos dados é o modelo adotado pelo “datapalooza” que o CTO da Casa Branca, Todd Park, tem andado a pregar nos últimos anos. A premissa base é que não há uma app ou um gadget que consiga resolver problemas sociais complexos, mas sim que é útil juntar vários tipos de pessoas para contemplarem as histórias e questões sociais que se escondem por trás de extensos datasets.

Atingir escala

O que mais se destaca na análise das 22 apps finalistas do Desarrollando America Latina é a quantidade de tempo e energia que as equipas dedicam ao seu desenvolvimento. Não estavam a fazer este trabalho complexo por dinheiro, tudo foi feito com espírito cívico e de contribuição para a própria comunidade. É verdadeiramente impressionante ver o que estas equipas foram capazes de fazer em tão pouco tempo. O meu eu optimista tem a esperança que pelo menos duas ou três delas tenham um tempo de vida maior do que um ano, mas o meu eu realista sabe que isso é pouco provável. Já fui júri de mais de uma dúzia de concursos destes e não consigo lembrar-me de uma única app vencedora que ainda use hoje.

De facto, como Tom Steinberg recordou num apelo recente a tecnólogos partidários para se juntarem ao movimento não-partidário de tecnologia cívica, provavelmente ainda não existem apps cívicas que já tenham atingido escala. Não há dia que passe sem que eu use o Instapaper, a Dropbox, o Foursquare, o Twitter, o Things, o Simplenote, o Goodreader e o Spotify. E pelo menos uma vez por mês uso o Tripit, o Instagram, o Trip Advisor, o Airbnb, o Nike+ e o Evernote. Mas o que é frustrante é que não me lembro de uma única app cívica que use nem semanal nem sequer mensalmente  para estar em contacto mais próximo com o meu governo.

Tentar explicar porque é que o sector das apps cívicas ainda tem de ganhar escala, será tema de um próximo post, mas posso garantir que que não é por falta de hackathons nem de concursos destes. Não faltam protótipos, mas são poucos os investidores dispostos a apoiarem a parte mais difícil do seu desenvolvimento, assim como são poucos os projectos que fizeram uma prospeção de mercado a sério sobre as necessidades dos seus utilizadores.

Sendo o meu trabalho dar apoio à escalabilidade de apps e plataformas como estas, no futuro espero ver mais programas de aceleração, como o Code for America Accelerator, que ajudam apps em fase inicial a crescerem rapidamente, e mais eventos que permitam criar comunidades de grupos diversos focados em datasets semelhantes.»

David Sasaki trabalha com a Omidyar Network na Cidade do México em projetos de Oepn Government para a América Latina. Sigam-no no Twitter: @oso

Bom ano novo e prósperos dados abertos!

  • Não enxergas nada no Diário da República Eletrónico? O Tretas.org fez a magia.
  • Depois do Hackday Lisboa em Dezembro, entramos no ano a hackar no Porto: 26/01/2013
  • Vai pensando nisso e marca na agenda Hackathon International de Dados Abertos, 23/02/2013
  • Tens algum  tempo livre e queres ocupar as mãos? Hackpausas
  • Transparência sem Fronteiras

2013 só começou há duas semanas, mas já rola aí a melhor notícia do ano para a frente Transparência: o Helder Guerreiro e o Tretas.org oferecem ao mundo o novo Indexador do Diário da República Eletrónico. Lê a notícia no Público.

E que belo atiçador é este indexador para os mais inquietos espíritos hackers!
O próximo Hackday vai ser no Porto, no dia 26 de Janeiro. O  encontro está marcado para as 10:00 no café Ateneia; depois seguimos  para uma caça às devolutas. À tarde, a partir das 14:30, encontramos-nos no café livraria Gato Vadio para hackar.

“Durante os hackdays e hackathons não se discute política.” Este  e outros pormenores e regras que fomos estabelecendo ao longo de dois  anos de mãos na massa de forma a tornarmos os hackdays mais divertidos e  produtivos, podem ser conhecidos no resumo do primeiro Hackday Lisboa, em  Dezembro. Rumamos pela  primeira vez a outra cidade do país para potenciar novas interações  entre tecnologia e cidadania.
Apareceram no MOB vinte entusiastas dos  dados abertos e acesso à informação pública.

Mas vem aí mais: em Fevereiro vamos ter a Hackathon International de Dados Abertos 2013 também cá no Porto. Reserva o dia 23 na agenda e acrescenta o teu nome à lista de participantes! Vamos fazer coisa bonitas com dados abertos.

Eu é mais dados” – O que mais desejo para 2013 é uma [mala Chanel] tshirt Transparência Hackday! Vão sair fresquinhas para a hackathon de 23 de Fevereiro. Encomenda a tua até 26 de Janeiro para mandarmos fazer na quantidade certa! bomdia arroba transparenciahackday ponto org

Hackpausas

Queres ajudar? Tens algum  tempo livre e queres ocupar as mãos contribuindo com algo de útil para o THackday? Podes sempre adicionar casas no Geodevolutas.org, via google StreetView, ou se não hackas em linguagens de programação mas lhe dás nas linguagens em geral, um trabalho muito necessário é a tradução de documentos e artigos relevantes. Queres lançar a primeira pedra de um pad para a tradução colaborativa da Declaration on Parliamentary Openness? Há mais ideias no fórum!

Transparências sem fronteiras…

Saúde & Dados Abertos: Desperdício nas Prescrições Médicas

Um grupo de defensores do serviço nacional de saúde inglês decidiu visualizar o desperdício na prescrição de medicamentos proprietários face a alternativas genéricas. Uma visualização clara, junto com um argumentário conciso e acessível, resultam num exemplo óptimo de como o uso de dados abertos pode ser muito útil na discussão pública de assuntos de impacto social: http://prescribinganalytics.com/

“The Commons of Health Knowledge”. Produced for The Case for a Health Knowledge Commons NESTA October 2012. Design work by Cassie Robinson

O  Nodebox é uma ferramenta singular para criar imagens com recurso a  código e combinação de elementos. Entre um milhão de outras coisas,  também serve para visualizar dados, e encontrámos uma óptima  documentação para começar rapidamente a experimentar. Funciona em  GNU/Linux, Mac e Windows.
http://nodebox.net
http://nodebox.net/node/documentation/using/data-visualization.html

Lobby & Transparência: União Europeia Sob Pressão

Na União Europeia há uma resistência política considerável à cultura da transparência. No final do ano passado, um encontro em Bruxelas juntou organizações da sociedade civil, activistas digitais e diplomatas para debaterem a transparência, ética e participação dos cidadãos nos assuntos europeus. http://bit.ly/Z3SeBL

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Vem daí para o primeiro Transparência Hackday em Lisboa!The first Transparência Hackday in Lisbon is coming!

Pela primeira vez, o Transparência Hackday Portugal organiza um hackday em
Lisboa, com o objetivo de encontrar e juntar o pessoal da capital e
arredores que se queiram juntar à festa e conspirar em conjunto para
construir novas lentes com as quais possamos ver o nosso país, a nossa
cidade e/ou o nosso bairro. Vamos falar do que já foi feito e do que
aprendemos no processo, e daí partir para uma mini-hackathon onde vamos
delinear os próximos projetos.

Não é preciso ser hacker para aparecer! Traz a tua vontade e energia — tudo
o resto surge quando muita gente se decide a sujar as mãos em conjunto.

Quando: 1 de dezembro de 2012, das 14 às 19:00

Onde: MOB – Travessa da Queimada 33, Bairro Alto, Lisboa (mapa em http://goo.gl/maps/HyVEm)

Traz contigo: O teu portátil!

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