Date With Data invade Lisboa!

No próximo fim-de-semana, vamos levar o espírito Date With Data ao Festival da Política, que decorrerá nos dias 21 e 22 de abril em Lisboa.

No dia 22 teremos um painel dedicado ao tema Civic Tech: Como juntar pessoas à volta da informação pública, onde vamos falar da nossa experiência de 7 anos de encontros e hackdays à volta da informação sobre a sociedade em que vivemos. Discutiremos os desafios, resultados, dificuldades e próximos passos deste tipo de intervenção cidadã com as mãos na massa.

Logo a seguir, como a conversa nunca é suficiente, partiremos para uma mini-hackathon onde contaremos com um conjunto de desafios em que qualquer pessoa poderá sujar as mãos e ajudar ao esforço coletivo de libertação de informação pública e ao nosso empoderamento conjunto enquanto cidadãs e cidadãos com vontade de ver e intervir na sociedade de uma forma curiosa, bem-disposta e consequente.

Para esta mini-hackathon, é necessária a inscrição para o e-mail festivalpolitica@gmail.com, não deixes para a última que só há 20 vagas ;-)

E não deixes de espreitar o excepcional programa do Festival da Política!
Vemo-nos pela capital?

Guarda a data: o próximo Date With Data, no Porto, é dia 13 de maio!

13 de julho é dia de Transparência Hackday

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No próximo sábado, 13 de julho, encontramo-nos para mais um Transparência Hackday. O programa segue a tradição dos últimos hackdays: uma manhã dedicada à caça de casas devolutas, no centro do Porto, e uma tarde de mãos na massa, a trabalhar com dados abertos.

Começamos às 10:00, com um café na esplanada da Ateneia, na Av. dos Aliados. Aí decideremos que rua(s) atacar para reunir registos que depois colocaremos no mapa do Geodevolutas.

À tarde, a partir das 14:00, somos acolhidos pelo Espaço Compasso (R. da Torrinha, 113), para mais uma tarde intensiva.

Neste hackday temos companhia, o Improve Coimbra, outro coletivo dedicado aos dados abertos, tem encontro marcado, para mais um dia de hacking cidadão. Vamos estar em contato via IRC, no canal #opendata-pt e no twitter.

Até sábado!


Queres saber o que fizemos dia 15 de junho? As notas do hackday estão aqui (e em breve, serão compiladas para publicadar no blog).

1 de dezembro, 1º Transparência Hackday em LisboaDecember 1st Dezembro, 1st Transparência Hackday in Lisbon

O Hackday de 1 de Dezembro aconteceu em Lisboa, na MOB. Foi a primeira vez que o Transparência rumou a outra cidade do país para organizar uma sessão de meter as mãos na massa e brincar com dados abertos. Em Outubro parte do coletivo participou no Cidadania 2.0, uma conferência anual sobre iniciativa cidadã. O interesse gerado foi a faísca que aqui nos trouxe.

Chegámos às duas e começamos por preparar o espaço: rearranjar as cadeiras num círculo acolhedor, extensões e triplas com fartura, um router extra, cortesia da Unimos, e café. Às três, com um grupo de vinte pessoas — um recorde de participação! —, começamos. Primeiro de tudo uma introdução ao coletivo: quando começamos, porquê, metodologias de trabalho e projetos desenvolvidos.

As metodologias de trabalho merecem aqui um destaque, cristalizam a sabedoria de dois anos de Transparência Hackday. Pormenores e regras que fomos estabelecendo para tornar os hackdays mais divertidos e produtivos. Aqui ficam as principais, em modo de lista:

  • Durante os hackdays e hackathons não se discute política.
  • Não reinventar a roda de cada vez que começamos um projeto. Há que usar e abusar das ferramentas que já existem e construir em cima delas (o conhecido lema Standing on the shoulders of giants).
  • Falar menos e fazer mais. Todos temos ideias e opiniões, os hackdays são a altura de as pôr em prática, sujar as mãos e testar se funcionam ou não.
  • Lançar cedo e lançar regularmente. Referência à célebre frase de Linus Torvald, Release early, release often, que se tornou uma máxima no desenvolvimento de Software Livre.
  • Se há uma porta aberta, corre. Se encontraste um dataset interessante ou fizeste um scraper aproveita para sacar toda a informação. Nunca se sabe por quanto tempo a porta continuará aberta (tirada do texto 10 Rules for Radical’s).

Postas as cartas na mesa fizemos uma ronda de apresentações. Descobrimos que tínhamos uma mistura equilibrada de pessoas com formação em áreas diferentes, desde a engenharia informática às ciências sociais, ciências políticas, arquitetura, design, marketing e engenharia biomédica.Daqui partimos para o primeiro exercício prático, divisão em grupos pequenos para fazer brainstorm de ideias feito. Para cada ideia escrever uma frase de descrição eu uma frase com o próximo passo a tomar para a concretizar. Para ajudar lançamos alguns temas para a mesa:

  • Ferramentas para reduzir a distância entre cidadãos e representantes: facilitar o contacto com a informação que interessa, incentivar os contributos cidadãos para os processos de decisão, orçamentos participativos…
  • Ferramentas para reviver o hiperlocal: reforçar a comunidade e as redes locais ao nível de freguesias e bairros.
  • Ferramentas para ver o dinheiro: orçamento de Estado, orçamento local, ajustes diretos, setores específicos da economia, impostos, preços dos combustíveis…
  • Libertar a informação que falta: onde podemos encontrar informação pública que precisa de ser re-publicada em formatos abertos?
  • Divulgar, evangelizar, sustentar: como dar mais energia a projetos open data? Que entidades providenciam apoio? Que táticas podemos seguir para dinamizar o eco-sistema da informação pública?

Meia hora depois juntamos-nos todos de novo, no grande círculo, para contar as ideias. O Ricardo falou da ideia do Siglapedia, um repositório simples de siglas. Alguém propôs logo com um nome mais lusitano para a ferramenta, Siglário.

O Miguel sugeriu um mapa das praias de bandeira azul e infografias sobre o orçamento das campanhas autárquica, quanto é investido, como é distribuído entre partidos, candidatos e zonas do país.

O Eduardo e o João lançaram a ideia para uma plataforma que incentivasse à ação: um mapa para marcar locais/situações que precisam de intervenção, cada ponto do mapa estaria ligado a uma página de wiki onde seria detalhado o plano de intervenção. “Algo está mal!” apareceu como proposta para nome do projeto e alguém referiu às Local Wikis como ponto de partida ou inspiração. (Entretanto alguém colocou no fórum um link para a Local Wiki do Porto!)

A Bianca, voluntária do coletivo Habita, quer criar uma plataforma de ajuda às pessoas que perderam ou estão em risco de perder a casa por causa das hipotecas. A inspiração vem de Espanha, da Plataforma de Afectados por la Hipoteca-PAH.

A Patrícia tinha duas ideias. Uma que já vinha de trás, de fazer um diretório de plataformas de incentivo à cidadania. Outra que apareceu na hora, criar um site de apoio a quem quer montar um projeto mas não tem conhecimentos sobre as ferramentas existentes e sobre como usá-las. Esta segunda ideia começou rapidamente a ganhar forma, uma lista de ferramentas e plataformas com descrições, prós e contras, casos de uso com sucesso… e uma checklist, em linguagem direta e informal. Um exemplo: O teu projeto é controverso? Sim, então é melhor optar por alojamento próprio!

A Mafalda queria arranjar uma forma de promover e proteger as hortas urbanas em Chelas. A maioria das que lá existem são feitas sem a autorização dos proprietários dos terrenos, que parecem preferir ver crescer matas selvagens e ervas daninhas. Alguém sugeriu encontrar zonas do país onde as hortas urbanas existam e sejam encorajadas para usar o exemplo como pressão junto da câmara de Chelas.

Falou-se ainda da ideia de ressuscitar o projeto A lei em linguagem clara. Algumas referências sobre este projeto na TEDxTalk de Sandra Fisher-Martins, uma das autoras.

Apresentadas as ideias chegou a hora de votar com os pés, ou seja, ir para perto da pessoa que lançou uma ideia que te deixou entusiasmado. Voltamos a dividir-nos em grupos para desenvolver mais as ideias, pensar nas especificações — tempo e conhecimento mínimos para lançar uma versão 0.1 — e próximos passos a tomar.

Para finalizar a tarde voltámos ao círculo, para contarmos uns aos outros do que tínhamos estado a falar. Embora tivéssemos planeado pôr toda a gente a mexer e hackar em coisas concretas percebemos logo que, enquanto primeiro encontro, tínhamos de dar espaço para as pessoas conversarem e se conhecerem melhor. Ainda assim, o Eduardo e o João estavam empenhados e anunciaram os próximos passos: desenhar a interação do utilizador com o site e instalar uma wiki. As outras ideias mantiveram-se e a vontade de lhes dar seguimento foi reforçada.

E agora, quando é o próximo Transparência Hackday em Lisboa?
A conversa continua no fórum!

Transparência vai a Vigo

No dia 9 de Abril, alguns elementos do Hacklaviva deslocaram-se a Vigo para uma sessão de partilha de informação no âmbito do tema Transparência. Outra motivação era conhecer o Hackerspace na  Cova de los Ratos, o Kaleidoskopio.

Ambiente na Cova dos Ratos

A experiência ganhou logo sentido na visita ao espaço e na conversa informal sobre a actividade de cada um. A área disponível é bastante generosa e muito bem decorada e acolhedora. Aí desenvolvem ateliers de pintura, cozinha e tecnologia. Sim, porque a tónica dominante é mesmo a natureza, a alimentação saudável. Também a igualdade de género é um tema forte na cultura e programa deste Hackerspace.

Na apresentação do projecto Transparência participaram poucos elementos, mas a atenção dada à exposição foi bem visível. As perguntas e o retrato do poder da “Comunidad autonomica”, com reparo especial à da Galiza, deixaram passar a ideia de que a corrupção grassa e, impune, floresce aqui e ali. O grave era os próprios estarem convencidos que nem sequer tinham dados da actividade dos organismos e do poder político público para recolher e confrontar com o sentimento e impressão.
Esta ideia de ausência de matéria da “coisa” pública soou-nos a algo de estranho. Aliás, depois de termos exposto os objectivos do projecto, os presentes foram unânimes em anunciar que na matéria de Transparência estávamos a anos-luz e que a Galiza era um caso atípico.

As principais ideias vinculadas na nossa exposição, e que aliás são as que enformam o projecto desde a sua criação, foram:

  • em termos de objectivos, procurar não tomar posição, porque disponibilizar a informação é dar a possibilidade a qualquer pessoa de explorar e fazer as suas próprias reflexões e associações, e isso nada tem a ver com o interpretar ou forçar uma leitura;
  • no que se refere às fases, mencionámos a da recolha de dados oficiais, a do tratamento/ modelação, e, por último, a da visualização;
  • sobre os produtos já resultantes, mostrámos os datasets e ainda uma versão beta de um site para pesquisa da informação dos deputados e das suas intervenções;
  • finalmente, referimos genericamente as ferramentas usadas, mas aguardámos para a sessão da tarde, mais prática, o sumo dos detalhes.

Seguiu-se um almoço com umas “empanadas caseras” muito saborosas. Havia de algas, de legumes.

Almoço ligeiro, mas saboroso

Reconfortados, pegámos de novo no batente e passámos à parte mais divertida – mostrar os scrapers, explicar o que fazem e explorar dados disponíveis. Picados pelo facto de terem referido existir um vazio no que respeitava a dados, pesquisámos e demos com o gato. Afinal havia um rabo de fora. E tal como seria razoável esperar, existem registos das sessões do parlamento da Comunidad aqui, basta escolher a legislatura e lançar a pesquisa para obter o conjunto das transcrições desssa legislatura em concreto. Esta descoberta ainda deu mais entusiasmo e sentido à explicação.

Parlamento de Galicia - pesquisa das sessões parlamentares

De imediato, descarregou-se um pdf a título de exemplo, aplicou-se o script em python que usámos para as transcrições das sessões do parlamento português e descobrimos uma interessante e surpreendente analogia na estrutura dos textos. Ou seja, muito provavelmente, as sessões são geridas pelo mesmo software e modelo de estruturação e composição da informação. Com pequenos retoques, a aplicação usada numa situação pode ser utilizada num outro projecto. Esta é a beleza deste tipo de comunidades e iniciativas de cidadãos.

In loco e numa situação bem real, testemunhámos as linhas de força do Transparência Hackday – partilhar, reutilizar, criar sinergias.

Além da excelente hospitalidade, ficou o espaço para trocas mais regulares e a ideia de que o conformismo tolda por vezes a visão e embarga a acção. Não foi necessário número de magia nem espionagem para tropeçar nos dados. Lição: a informação é pública, o problema é estar pouco visível e apresentar-se pouco convidativa. Se queremos retirar algum dado, temos empreitada para anos. Mostrarmos que conhecemos essa informação e que questionamos o exercício do poder e nos dispomos a escrutinar as decisões e opções dos nossos governantes conduzirá necessariamente a mais atenção por parte dos Estados a estas questões.

Nota: Todas as fotos aqui.